30.7.06

O Brasileirão pega fogo

Sobre o futebol do Gre-Nal que terminou agora mesmo, há pouco o que falar. Um 0 x 0 deprimente, daqueles que dão a impressão de que nunca mais a gente vai ver um gol em Gre-Nal.

Mas fora dele tem muito pra se contar. Ou muito prejuízo para contar: sanitários químicos destruídos, cadeiras queimadas, grades derrubadas e vidros quebrados pela segunda vez no ano, o que vai acabar convencendo o Inter, um dos poucos clubes que andam renovando sua infra-estrutura, de que investir no torcedor é colocar dinheiro fora. A Alma Castelhana do Grêmio deu um vareio na polícia, e, pelo jeito, o único que saiu preso dessa história foi um banheiro químico, que ficou entalado nas grades do Beira-Rio, pegou fogo e se vingou espalhando fedor pela avenida Padre Cacique.

Quando eu vi as imagens na TV, a primeira coisa que lembrei foi desse post que o Rodrigo escreveu semana passada, dizendo que o aumento do preço dos ingressos estava afastando o povo do futebol. É verdade. E vai afastar mais ainda. Daqui a pouco vai ser preciso deixar R$300 mais a ficha policial anexada para entrar em um jogo.

É ruim, mas foi assim que a Inglaterra conseguiu dominar o problema dos hooligans. A elitização do futebol é inevitável, e só poderia ser revertida na improvável hipótese dos governos apostarem em educação, o que levaria umas três ou quatro gerações para dar resultado. Até agora, o único candidato a presidente que falou em educação - e ninguém sabe se isso é um compromisso ou uma estratégia de marketing - não saiu de 1% no Ibope. Esse tema não toca muito fundo nem na alma brasileira, nem na castelhana.

Por isso, é melhor começar a guardar dinheiro para ver o Gre-Nal do Brasileirão de 2014. Aliás, falando em 2014, tenho certeza que a galera da Fifa também curte o YouTube, e deve estar vendo as cenas deste Gre-Nal, daquele Corinthians x River no Pacaembú e de tantos outros jogos que terminaram assim. É bom guardar dinheiro também para viajar para o Canadá na Copa de 2014.